
A nova era tecnológica veio para quebrar barreiras geográficas e socioculturais. E como tudo que é novo exige mudanças, as aulas e os métodos de ensino não poderiam continuar da mesma forma. Hoje muitas escolas já adotam modelos de aulas informatizadas, levando os alunos a interagirem e a se identificarem com os meios tecnológicos. O uso das ferramentas digitais no meio educacional é importante para quebrar barreiras e instruir os alunos de hoje a utilizarem as tecnologias como ajuda prática nos estudos e como um meio atrativo para o processo pedagógico.
Foto: Rúbio GuimarãesAs modernas ferramentas de estudo têm criado novos métodos de aprendizado e provocado uma revolução nas salas de aula
Ao observar a criança na pré-escola, percebemos que ela precisa de brinquedos didáticos para atrair sua atenção ao aprendizado. Por que com os adultos ou com os alunos mais velhos teria de ser diferente? Eles também precisam se sentir atraídos pela aula e não ser somente meros ouvintes sem vontades ou opiniões.
Diante das revoluções constantes da tecnologia, as escolas e os professores não podem mais se comportar indiferentes. É preciso rever os conceitos e promover inovações no processo pedagógico. O computador e as redes sociais são ótimos atrativos para manter os alunos ligados e conectados aos assuntos abordados em sala de aula. E nem poderia deixar de ser diante da constante avalanche de novidades tecnológicas.
Avaliação pedagógica
No livro Tecnologia e educação, Wendel Freire diz: “As tecnologias não são boas ou más. Depende do uso que você faz delas. As tecnologias, de fato, mudaram o comportamento do ser humano e afetaram de forma direta o modo de ensinar”, analisa.
A escola tem a obrigação de preparar os alunos para a recepção da tecnologia e mostrar a melhor maneira de utilizá-la de forma favorável aos estudos. As novas ferramentas de estudo têm criado novos métodos de aprendizado e exigido mudanças na ministração pedagógica.
Lucilene Lopes Campanholo, coordenadora de informática e robótica educacional do Mackenzie, considera que as tecnologias de informação e comunicação (TICs), no cotidiano educacional, viabilizam muitos projetos. “A tecnologia faz com que os processos de comunicação sejam mais participativos e a relação professor-aluno mais aberta”, acha Lucilene.
A tecnologia como ferramenta de educação, na visão da coordenadora de informática, é adotada de forma diferente entre o professor e o aluno. “O professor precisa buscar novas estratégias metodológicas, exercendo o papel de mediador com um objetivo de qualificação pessoal
e formação continuada. Já para os estudantes, o processo acontece de uma maneira bastante natural, porque estão familiarizados com todos os recursos tecnológicos disponíveis”, explica a coordenadora Lucilene Lopes.
O que acham os alunos?
As tecnologias estão de fato ajudando os alunos nesse novo processo de aprendizado. É o que acha o aluno Armindo Jreige Júnior, 16, do segundo ano do ensino médio, e a aluna Daniela Georg, 17, do terceiro ano do ensino médio.
Dentre os vários benefícios da tecnologia, o fácil acesso à internet criou um mecanismo alternativo e fundamental de estudo. Ademais, muitos aplicativos se tornam úteis para a realização de trabalhos de cunho escolar”, diz Armindo. “A tecnologia facilita qualquer tipo de pesquisa, possibilitando que eu busque exercícios extras para estudar e aprender de maneira autodidata”, fala Daniela.
Os alunos do ensino médio contam que as aulas continuam as mesmas, porém ficou possível variar e utilizar recursos tecnológicos. “A forma de ensinar consiste da mesma base. Porém, os recursos tecnológicos tornam possíveis aulas alternativas em multimídias que dinamizam o aprendizado”, acrescenta Armindo.
A questão da leitura nos livros ou na internet continua dividida. Daniela ainda lê muito pelos livros, Armindo lê mais pela internet e o aluno André Leite Santos, 16, segundo ano do ensino médio... “Leio muitos livros e leio também pela internet, mas acho que passo mais tempo na internet”, conta o estudante André.
Os alunos também dão sugestões de como preferem as aulas nessa nova era digital. Na opinião deles, as aulas ficariam mais atrativas se os professores usassem lousa interativa, aulas em multimídia, uso de sites escolares, troca de material escolar por tablets, notebooks e salas interativas.
Escolas ficam para trás
Na opinião do professor André Frattezi, da escola Sigma, as instituições de ensino em geral não estão acompanhando o avanço tecnológico. Quanto ao Sigma, o professor conta que o centro educacional pretende implantar em 2012 o uso de tablets na primeira série do ensino médio. O projeto tem o apoio de grupos de professores, empresa de informática e mais de 40 pessoas envolvidas. O projeto promoveria a troca dos livros manuais por livros digitais. Isso ajudaria os alunos a diminuir o peso nas mochilas e facilitaria o acesso a pesquisas de forma mais rápida.
“A tecnologia é um produto que pode ser utilizada de maneira positiva na educação, desde que essa geração digital seja bem orientada. O tablet permitirá aos alunos consultas rápidas, com som, imagens e até o próximo ano pode ser imagens em 3D”, conta o professor André. Cursos a distância estão cada dia mais presentes, seja para capacitação, para o ensino fundamental e médio ou até mesmo para superior. A posição do professor André diante dessa alternativa é: “Vejo com bons olhos, para os alunos maduros que já sabem o que querem. Mas os alunos do ensino médio e fundamental, com faixa etária de 14 a 17 anos, ainda não estão maduros e preparados para esse tipo de educação”.
Já a coordenadora de informática do Mackenzie acha que um curso a distância requer muita disciplina e dedicação. “Vai depender mais do interesse do aluno”. Com o avanço da tecnologia, tanto o professor como os alunos ganharam, mas esses últimos é que fazem maior uso desses atrativos. Os professores ainda têm uma certa resistência às novas tecnologias, até porque as escolas não investem muito para treiná-los.